Isso daí com arroz é uma delícia…

Tinha um cara, colega nosso na BIO-USP, que sempre que via um tucano voando por ali (tem uma reserva do lado) dizia, com entusiasmo, sobre a ameaçada ave:

- Isso daí com arroz é uma diliça!

E a seguir passava a pontificar sobre a necessidade de cimentar a Amazônia ou alguma outra barbaridade da laia. A seguinte notícia me lembrou o Filipão, e ela pra mim ilustra muito (mas não tudo) da natureza humana - e da Natureza, na verdade:

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL688185-5603,00.html

Arte boa

Na Casa da Senhorita (De Vrow’s huis, em holandês. Não era holandês? Ops.) rolou uma discussão do que é arte, e tal. É uma discussão mega difícil, e eu acho engraçado, porque eu iniciei 3 faculdades: Artes Plásticas, Biologia e Letras. Em cada uma delas rolou uma discussão semelhante: o que é arte, o que é vida, o que é literatura, e isto é apenas natural, claro, se você vai passar os próximos 4 anos estudando o treco é razoável tentar definir o que se estuda (sem sucesso, na maioria das vezes, mas o processo é válido.)

Anyway, fugi covardemente da discussão, e ainda fugirei - mais ou menos. A definição, como qualquer definição humana, é arbritrária, e não há consenso. Em vez disso vou falar um aspecto do que, na minha modestíssima opinião dudesca, eu considero boa arte. Boa arte é arte que (me) inspira. Você vê uma peça de arte e fica com vontade de fazer arte também, de produzir ou começar algo. Ou começa a pensar sobre o assunto, e com isso pensa coisas que não havia pensado, ou não pensaria, de outra maneira. Ou causa uma mudança de perspectiva. Boa arte provoca, enfim, uma reação de inspiração - e não só uma sensação agradável por ter sido exposto a ela, caso em que é bom entretenimento, não boa arte. É o que eu acho e uso pra mim, talvez seja útil pra mais alguém, embora imperfeita, então está aí.

Edit- Só deixando claro que esse definição de arte boa não é a única, muito antes pelo contrário. Aliás, nem mesmo é a minha única. Definições tem variado ao longo do tempo, e é uma discussão tão complexa quanto o que é arte em si. Eu quis apenas comentar um aspecto do que considero boa arte, não definir matematicamente nada.

Pássaros

Eu confesso que sempre que vejo um pássaro voando eu tenho a compulsão de tirar uma foto. Poucas vezes obtenho sucesso, mas nestas três eu consegui.

Rambla del mar Barcelona

Frost - Oosterpark - Amsterdam

Sacré Coeur - Paris

Daniduc.net

Yep, como eu havia comentado o [the dude's talk] agora se integrou ao daniduc.net. Citando a Aline, “minhas coisas estavam todas dispersas, precisando de organização”, e o antigo site do Daniduc.net, bem, dava vergonha (pelo menos pra mim). Mas dava uns trocos de adsense por causa de umas fotos de tatuagem que tinha lá, então eu ia deixando. But no more! Dei adeus aos trocos do adsense às custas de fotos mal focadas de partes de pessoas. Agora meus trabalhos, ou seja, fotos, desenhos e, claro, textos, estão mais organizados, e tenho um único lugar na internerds pra ser a referência em daniduc. Ponto net! Agora chega de brincar de site, ao trabalho, dude.

(E meu muito obrigado público a quem comentou o site novo, especialmente à Juju, à Ida, à Aline, que já ganhou link ali em cima, e muito especialmente à Carla, claro e sempre.)

Prática

Um desenho por dia, todo dia, é minha nova meta. A de escrever todo dia também entra em vigor. Vamos ver.

Entre panelas (e pratos e talheres e travessas e…)

A Carla mudou o blog dela, deu um foco e agora estreou o Entre Panelas, sobre gastronomia e nutrição. Está cheio de receitas de delícias práticas de serem feitas e, o melhor, saudáveis :). Como o sortudo cobaia de todas as receitas, eu recomendo altamente, nham!

Visitem lá!

Writing for comics by Alan Moore

Acabei de receber da Amazon.co.uk um livrinho do qual eu nunca tinha ouvido falar e que comprei porque era Alan Moore e era muito barato (como disse uma das resenhas dos leitores). Morri com £3 a mais no meio de outro pedido. É um ensaio escrito relativamente no começo da carreira do Alan Moore, ensinando como escrever quadrinhos. Ele acresentou um Afterwords, 5 páginas no final, escritas 15 anos depois do ensaio original. Eu não li ainda o ensaio original, mas não pude resistir a ler o Afterwords. E, cara, valeu cada penny só ali, naquelas 5 páginas. Alan Moore detona.

UPDATE: O livro na Amazon.

Pra quê serve uma barata?

Por um tempo eu assinei uma lista de discussão do pessoal que cuidava de bichos abandonados. Foi na época que eu peguei o Linus e a Boo (ei, gatinhos, espero que vocês estejam bem), eu achei esse grupo quando googlei pra aprender sobre o que fazer quando um felino pilantra entra na sua casa doente e ronronando. O grupo era composto por gente que gostava muito de bichinhos. Mas não de baratas, o que tudo bem, porque eu acho que elas não classificavam baratas como “bichinhos” no sentido fofo da coisa. Enfim, não demorou muito pra alguém perguntar “mas pra que servem as baratas”, que é uma daquelas perguntas prontas que a gente sempre ouve e sempre vai ouvir. E eu resolvi responder, porque eu sou mala, já que ninguém parece realmente interessado na resposta, é meio que uma pergunta retórica, tipo, o bicho é nojento e ninguém (em sã consciência) gosta, é mais pra falar mal das baratas. Justo, e eu realmente não gosto de barata, aliás nem sei porque eu to blogando sobre elas. Ah, sim, lembrei. O post não é sobre baratas, no fim das contas, é sobre pessoas e como elas entendem o mundo (espero), e um monte de gente se interessa por pessoas (mas não todo mundo). Vamos lá.

Pra que servem as baratas? Pra nada. Pronto, é isso, essa é a resposta, e se você só queria falar mal delas, pode parar aqui. Agora, pra que serve qualquer ser vivo? Pra que servem as plantas? E os fungos? E os ornitorrincos? E as pessoas?

É parte do ser humano procurar razões e funções pra tudo - uma das conseqüências dum cérebro reconhecedor de padrões - e antes da ecologia ser amplamente desenvolvida e divulgada, a serventia de elementos da natureza era sempre em relação ao homem. Pra que serve o bicho tal? Pra servir de alimento. Pra que serve aquela floresta ali? Pra construir casas, vamos derrubá-la! E aquele pântano? Pra dar doença, vamos secá-lo. Et cetera e tal.

Aí veio a ecologia, o Greenpeace (pra que servem aquelas foquinhas ali? Pra fazer propaganda, *smash* *smash*) e cada ser vivo ganhou um papel na teia ecológica. Predadores podem ser assustadores e tudo, mas eles mantém as populações de gnus em equilíbrio. E os mosquitos? Sem mosquitos os sapinhos não poderiam continuar coaxando e, sem os sapos… huh… não teria… sei lá… abelhas, e sem abelhas os jornais teriam que inventar outras coisas que o Einstein nunca disse. Nunca fui muito bom em ecologia (mentira, foi o departamento que eu tive a maior média ponderada quando eu fiz biologia). Mas eu to zoando. Vocês pegaram a idéia, todo ser vivo tem uma “função” na tal teia ecológica, e isso na cabeça das pessoas parece justificar sua existência. Vamos preservar a Natureza, mesmo os malvados tigres-das-estepes-comedores-de-gnus (que não existem, você sabe né? Sempre é melhor deixar claro) porque eles servem pra algo e tem um papel no Grande Ciclo da Vida.

E tem o lance dos ratos, das pombas e das baratas. Gatos e cachorros servem pra deixar as pessoas felizes, então tudo bem. Ratos alimentam os gatos, são nojentos, mas então pelo menos servem pra algo. Pombas tem o mesmo propósito de ratos, alimentar os gatos (um pouco menos que os ratos, claro, porque elas voam e gatos não). E baratas?

Acontece que seres vivos não existem pra desempenhar um papel maior na natureza, como se sua função ecológica fosse tipo um “emprego” que eles têm:

- Duro dia no escritório, hein, seu leão?
- Correria, como sempre. Sabe como é, alguém tem que manter aqueles Gnus nos trilhos…
- E contigo, dona hiena?
- Oh dia, oh vida, eu só me ferro… tenho que limpar os restos deixados por este porco…
- Oinc, deste leão, a sra. quer dizer. Eu sirvo pra engordar humano, não fico sujando a savana.
- Oh azar.

Seres vivos estão preocupados em se manter vivos e, se possível, manter seus genes vivos, não em papel ecológico, e sua existência não se justifica por papeis ou funções na natureza. Isso é antropomorfizar (e muito) as coisas.

Claro que seres vivos se relacionam uns com os outros, e com o ambiente, neste planeta, a existência de um afetando a dos outros, e a resultante é uma complexa teia de relações mutantes que está num certo equilíbrio dinâmico. Identificar e entender essas relações é muito importante, não só pelo conhecimento em si do ambiente que nos cerca - que é o foco do estudo de ciências básicas - mas também para entender como estamos afetando esse equilíbrio no modo como nos relacionamos com outros seres vivos, o que nos afeta de volta - diretamente! A ecologia estuda isso, mas não devemos confundir estas relações de um ser vivo com um “papel a ser desempenhado” que venha a justificar a existência de um ser. Eles são o que eles são.

E nesse ponto a ecologia pode ajudar também a entender as relações das baratas com seres humanos. Baratas existiam na natureza antes, em um certo equilíbrio. Com a chegada do ser humano, o ambiente se modificou. Surgiram cidades, que são altamente favoráveis à proliferação de baratas - muita comida, abrigo. Nós criamos o ambiente proprício pra elas se aglomerarem e se multiplicarem e, com isso, encherem nosso saco (e às vezes virarem personagem de quadrinho). Ficar se perguntando qual o papel da barata, ou, pra que servem as baratas, é “miss the point”, como se diz em inglês. Seria como se as baratas achassem que o ser humano surgiu pra tornar a vida delas mais fácil. O que ele fez, embora não propositadamente, óbvio, e sim enquanto procurava, egoisticamente, sobreviver melhor. Que é o que cada ser vivo busca fazer, no geral, mesmo os mais nojentos.

A melhor tira de todos os tempos da última semana

O meu irmão meu passou o link do Linha do Trem, blogue do Raphael Salimena, que faz quadrinhos independentes. Eu conhecia um trabalho dele, o excelente Bela Lugosi is Dead, do projeto Mojo. Mas era só isso que eu sabia, enfim, fui ler. Tive que parar um bom tempo pra rir compulsivamente quando topei com essa tira.

Bueno, já está assinado.

Cyberghost

Today I presented the world of RSS feed to a friend of mine, Leo. He was amazed to discover that he already had a feed for his blog. Soon after showing him about Google Reader and the possibilities of forever reading, he stopped responding on Gtalk. I called, and called, to no avail. He wasn’t there.
- Oh my God, I said, Leo was absorbed by the feed ocean and disappeared in the endless cybernetic content flux.
I called him once more, but only CyberShark answered to me.
- Forget it, dude, he’s a goner.
- But… but I know him since, dunno, 94 or something… how can this be? I wish I could talk to him again someday…
- Well, there is a way, of course… post something in your blog. He’ll read the feed.
- Gosh, you mean, he is like a cyber ghost now, or something?
- Or something, yes.

Well, so long, Leo. See you in a blog access report someday.