Tuitando

Implicâncias com modinhas internetosas à parte, o twitter é na verdade legal. Eu curto a idéia de registrar alguns dos milhões de pensamentos rápidos que ocorrem ao longo do dia. Alguns são estúpidos, alguns são interessantes, eles vêm e vão, queimam na atmosfera e desapareceriam normalmente, mas com o advento do armazenamento de dados à baixo custo, podem ficar registrados. E isso é bom? Serve pra alguma coisa? Não é perda de tempo registrar tanta besteira (nem adianta fingir que os interessantes são na mesma proporção dos inúteis)?

Pode ser, pode ser. Mas pensamentos são coisas frágeis, e somem fácil. É um bloco de notas rápido, prático e público. Nunca se sabe quando pode-se extrair algo legal, ou pensamentos interessantes do meio de várias besteiras, e sim, já aconteceu. Quem sabe a coisa legal de amanhã que será inspirada por uma besteira de hoje?

Além disso é um jeito de acompanhar pessoas - a internet não é nem de longe substituto pra boa e velha interação ao vivo, mas ajuda a manter a estrutura social que nós, humanos, precisamos. O contato social precisa ser constantemente renovado. Não há relacionamento se não há interação. Se eu não sei o que se passa no seu dia, onde você foi, o que está te interessando, mesmo algumas besteiras que você tá pensando,  enfim, se eu não interajo de maneira alguma com você (porque você não tem tempo pra estas besteiras… só pra outras) eu não me relaciono com você socialmente. A relação fica baseada somente na lembrança de quando essa interação ocorria. É um relacionamento fóssil. Por isso, sim, claro, eu adoraria sair ao vivo com vários amigos meus, e isso seria bem mais legal, mas eles estão longe, uns poucos em outras cidades aqui na Holanda, ou em outros países aqui na Europa, mas a maioria em outro continente, e sem blogues, e gtalks e twitters eu teria somente relacionamentos fósseis com essas pessoas, e isso seria triste.

Então, até nós termos aquela cerva juntos, ou aquela idéia genial que não caiba em 140 caracteres, tuitem aí (e me passem o seu usuário por lá, preu acompanhar) que eu tuito aqui.

O caso dos pronomes

Todo mundo aprende conjugação verbal na escola: eu, tu, ele. Nós vós, eles. Muito importante, e tal, mas esta conjugação verbal simplesmente não é mais usada no português do Brasil - certamente não na modalidade oral e cada vez menos na escrita. O vós já é história, o tu também em muitas partes do país (e ainda mais se contar aquelas que dizem tu, mas conjugam como você - tu anda de moto?). A conjugação verbal do português brasileiro do dialeto paulistano, modalidade oral está assim:

Verbo regular vogal temática a - cantar

Eu canto
Você canta
Ele canta
A gente canta
Vocês cantam
Eles cantam

Verbo regular vogal temática e - vender

Eu vendo
Você vende
Ele vende
A gente vende
Vocês vendem
Eles vendem

Verbo irregular - ser

Eu sou
Você é
Ele é
A gente é
Vocês são
Eles são

O “nós” ainda não está totalmente extinto como o “vós”, mas já tem uso bastante diminuido. Notem que as desinências verbais, que antes eram diferentes pra cada pronome pessoal, agora estão  reduzidas à três, mesmo no caso de verbos irregulares. Existe a desinência da primeira pessoa do singular, a usada pra segunda e terceira pessoas do singular mais a primeira do plural, e a usada na segunda e na terceira pessoa do plural. Em vez de seis, uma para cada pronome pessoal, temos agora apenas três desinências verbais em uma determinada conjugação. Um professor meu da Letras teorizou que este seria um motivo por trás de uma tendência de os falantes passarem a preencher mais freqüentemente o sujeito de maneira explícita, o que não é obrigatório em português (ao contrário do inglês e do francês, por exemplo). Antes o sujeito da frase poderia ser recuperado pela forma verbal - o sujeito de “andou pela rua”, por exemplo, teria de ser “ele”. Agora pode ser “você”, “ele” ou ainda “a gente”.

Línguas estão constantemente em mudança (e constanemente sendo acusadas de estarem decaindo, sendo maltratada por ignorantes e sendo invadidas por influências nefastas do estrangeiro) e eu fiquei curioso de saber se há estudos sobre esta mudança em particular do português brasileiro.

Pronto, passou o momento letreiro. Foi uma crise de abstinência rápida. Voltaremos à programação normal em breve.

Cavaleiro das Trevas e a geléia geral americana

Aqui na Cidade do Interior (desconfio que Toronto seja uma metrópole perto de Amsterdam), onde tudo fecha as sete da noite, o Cavaleiro das Trevas estreou uma semana depois de São Paulo. Enquanto isso eu acompanhava os Twitters e entradas dos blogues falando sobre o filme, vi ele subir pra posição el Numero Uno do IMdB (está em #3 nesse minuto), a performance de Heath Ledger ser elogiada até mesmo por quem considera Cesar Romero o Único e Eterno Coringa. O filme criou tanta expectativa aqui em Amsterdam que não conseguimos, eu e Carla, assistir, óbvio, no dia da estréia. Lotado. Nem uma semana depois. Lotado. Todas as seções. Na terceira vez que demos com a cara na porta, resolvi deixar de ser mané e reservar os ingressos no Pathé Arena, o maior cinema daqui. Fomos no dia seguinte buscar os ingressos uma hora antes da sessão, direitinho como mandava as instruções. Chegamos no caixa, mandamos o número de reserva (zes twee acht twee), grande expectativa, e grande decepção: número não encontrado. Algum erro xis no sistema perdeu nossas reservas. Eu e Carla com aquela cara de “não creio!”, o holandês de 17 anos que estava no caixa ainda mais, e agora? Chama o gerente. Ops, é, mau ai. Perdemos a sua reserva. Não vou conseguir te colocar na sessão que você queria. Consigo pra vocês agora um ingresso na sala IMAX, e na hora eu ponho o outro pra dentro, porque certamente tem gente que reserva e não vem. Pode ser?

Cara, era a quarta tentativa. Era aquele dia ou no DVD, pensei. E topei (já havia gasto 8 strippen pra ir até lá, mesmo…) O gerente disse pra aparecer dez minutos antes da sessão, que ele ia nos por pra dentro. Foi o que fizemos. Não acreditei quando cheguei. Era uma multidão inacreditável. Sério, me lembrei dos tempos em que eu ia ver São Paulo e Corinthians no Pacaembu às nove da noite de quarta-feira (hey, todo mundo tem um passado negro!) Bem, foi uma batalha, o gerente cumpriu sua palavra e nós entramos e até conseguimos lugar junto (e ninguém ficou no chão). E finalmente pude assistir O Cavaleiro das Trevas. Em inglês, que aqui na Holanda quase nada é dublado, tudo tem legenda. Só nos demos mal uma vez, no filme do Beowulf, em que o Grendel fala em… gaelico? E só tinha legenda em holandês. Ops. Mas enfim, assisti ao filme depois deste tumulto todo, sem legendas e fui bombardeado por um roteiro complexo, cheio de nuances. Então perdoem se eu tiver entendido algo errado. Vamos lá pras impressões dudescas da coisa, depois de um monumental nariz de cera, como diria meu pai.

Vamos logo tirar o lance da interpretação do Coringa da frente. Sim, o Heath Ledger detona. O Coringa dele é como deveria ser. Não um palhaço do crime, um bufão criminoso, ladrão e assassino, mas ainda assim um bufão [ou como disse Sir Michael Caine, a "killer old uncle"]. O Coringa é perturbado e perturbador, o Coringa é o motivo de porque você tem medo de palhaços, o Coringa acha os pilares da sua sanidade e dinamita um a um. O Coringa é insano em toda extensão da coisa. É o Lado Negro, descontrolado e selvagem, babando e uivando e gargalhando obscenamente de coisas também obscenas. Ninguém quer admitir o Coringa, mas ele está lá, espalhando a morte e o caos e tocando o horror, e amigos, ele toca o horror. Esse coringa que o Heath Ledger fez é per-tur-ba-do, e o ator completamente desaparece no papel, e te convence a ponto de assustar pessoas adultas e conscientes de que estão vendo um filme, pelamordeDeus, é só um filme! Se isso não vale um prêmio de interpretação, eu não sei o que vale. Oscar pro guri, que ele mereceu, e Hollywood deve isso à ele.

Agora, a febrinha do filme. É o Cavaleiro das Trevas tudo isso mesmo, filmão, filmaço, melhor que o Poderoso Chefão no IMdB? Não, claro que não, e rolou aí um efeito novidade associado com outras coisas, que vou tentar adivinhar já já. É um bom filme de super-herói (e apesar disso, não é, definitivamente, um filme pra crianças), bem feito, com boas interpretações (e uma excepcional), com poucos defeitos (alguns bem irritantes), mas não é um filme que eu diria que transcende o gênero. Tem alguns filmes que são tão bons que transcendem o gênero. Por exemplo. Eu não gosto de musicais. Nunca gostei, me entedio até a morte, fico com vergonha alheia de pessoas cantando em momentos absurdos, sei lá, é uma coisa minha. Mas dA Noviça Rebelde eu gosto, admito e assumo, e já parei na frente da TV as 4 da manhã quando eu tava morrendo de sono só pra ver de novo porque tava passando no Corujão. Noviça Rebelde é um musical, mas transcende o gênero, é um filmaço. Cavaleiro das Trevas é um bom filme, vírgula, de super heróis. Poderoso Chefão é um filmaço, ponto, não importa que trate de gângsters. Mas por que o Cavaleiro das Trevas causou tanta comoção, então, com várias pessoas chegando a sugerir que ele transcendia o gênero de super-heróis?

Porque é um filme bem feito que toca em temas importantes pros americanos, num momento crucial, o ano das eleições pós GWB. A comoção causada pelo Cavaleiro das Trevas me lembrou da comoção causada pelo Tropa de Elite no Brasil. Era a mesma coisa: um filme bem feito que abordava, de maneira muito competente, um assunto importante pro país. Pra nós brasileiros, um filme como cavaleiro das Trevas, com um cara vestido de morcego quebrando o pau com um palhaço assassino soa como uma tremenda besteira, não importa o quão a sério eles se levem. Mas os americanos estão muito acostumados a discutir com metáfora de super herói. Eles fazem isso o tempo todo, com diversos assuntos relevantes. O super herói é uma parte integrante e essencial da cultura americana. Pra eles não é nada uma besteira, é um jeito de discutir e explicar o mundo, é como eles se veêm [veja essa campanha, por exemplo] - os super heróis agem pros americanos meio como qualquer mitologia age em qualquer cultura.

E o Cavaleiro das Trevas está abordando, obviamente, o momento atual dos americanos, esta encruzilhada que eles se meteram e agora tem que lidar com a meleca toda. E agora, pensam eles, é uma hora crucial, porque irão escolher o próximo presidente, que provavelmente ficará mais oito anos no cargo. Eles tem que discutir o assunto, e o Cavaleiro das Trevas faz exatamente isso, usando uma das mitologias mais importantes deles, o super herói. Eles não estão discutindo o 11 de setembro, eles estão discutindo, no CdT, o mundo novo pós 11 de setembro, na meleca toda em que eles se meteram e o que eles vão fazer a respeito - e a hora da fazer algo a respeito é agora.

O paralelo mais óbvio é o Coringa representar os terroristas do mundo real. Pode parecer óbvio e batido, tá, tá, já sei, a ameaça que vem do exterior e não tem freios, etc e tal, já sabemos. Mas na verdade esse Coringa/terrorista-do-mundo-real toca em dois pontos importantes em como o Batman/americanos lidam com ele. Um, o que o motiva? Por que o Coringa/terrorista-do-mundo-real faz o que faz? Entender direito a motivação ajuda a combater direito a ameaça. E eles não entendem direito os terroristas islâmicos, nem o Coringa, e não sabem lidar com eles. E dois, como você combate alguém que não se importa se vive ou morre? Com o que você ameaça um cara que se viver tudo bem, mas se morrer melhor? Você tortura ele? É o que o Batman faz com o Coringa (e o governo com os terroristas), mas não adianta. O Coringa mente e o herói se estrepa. O herói se vê e percebe que é um torturador E um fracassado. E agora?

E como você pega esse cara? Como você tira ele da sua toca? Onde ele se esconde? Queima a floresta toda? Vigia todos os celulares? O herói, que antes protegia os cidadãos, agora os vigia, desconfiado, e estes, em troca, desconfiam dele. Antes os americanos sabiam quem era o bandido, quem era o mocinho, o que motivava ambos. Agora estão entre ataques de loucos que eles não entendem direito e de pessoas que deveriam protegê-los, não tratá-los como parte da ameaça. Aliás, este é outro ponto abordado no filme… será que eles são parte da ameaça? é apoiar o Batman a coisa certa? Toda aquela moralidade certinha, os super heróis dos anos 30, onde bom era bom e mau era mau, mudou numa grande bagunça, e o limite da moralidade não é uma linha reta e bem definida, mas uma fronteira nebulosa onde eles tem que decidir até onde ir. Os tempos mudaram, e a metáfora de super herói com eles, refletindo a mudança da visão de mundo americana.

O filme lança as questões e deixa as pessoas livres pra interpretá-las, e isso ressou profundamente com os americanos, e o que ressoa com os americanos ressoa no mundo, querendo ou não. E o resultado disso tudo foi o CdT em número um no IMdB e filas homéricas em Amsterdam, com um dude precisando de 4 tentativas pra entrar no cinema. Não sei se ele vai se sustentar na impressão geral americana como sendo tudo isso depois que passar algum tempo e as coisas mudarem. Desconfio que não, e mesmo em termos de gênero super heróis, acho Superman I melhor, mas qualquer filme que cause uma boa discussão sobre temas maiores do que mostra à primeira vista é um bom filme no meu caderninho.

Retornos

Hm, eu sempre fico feliz de saber quando gostaram do meu trabalho, mesmo quando o retorno é só um “gostei” (a gente tende a pensar que só são válidos retornos elaborados, cheios de análise crítica e sacadas sagazes e espertinhas. Não é verdade.) então pensei, que coisa, mesmo autores famosos devem gostar disso, apesar de todas as matérias de jornal e TV e listas de mais vendidos. Aí resolvi escrever pro  Cory Doctorow que eu gostei do livro mais recente dele, o Little Brother. Só isso, mandei um email dizendo, gostei do seu livro. Ele me respondeu, agradecendo e dizendo que havia ficado feliz muito de saber que havia gostado do livro, e que o retorno dos leitores é sempre bem-vindo. (Ah, o Cory Doctorow colocou o livro on-line pra qualquer um baixar e ler. Eu também achei isso bem legal e também disse isto pra ele.) Eu fiquei feliz, ele ficou feliz, tudo em troca de 3 minutos de um email. Achei uma boa troca.

Tradução via Wikipedia

Essa dica pode ser óbvia pra alguns, mas encontrei já muita gente que não sabia, ou enfim, a quem não tinha ocorrido fazer isso, então lá vai, num post rapidinho.

Existem muitos dicionários on-line, mas tem muita coisa que não é bem uma palavra, ou não é o tipo de palavra que você encontraria no dicionário, mas você quer traduzir. Ou você quer saber mais do que se trata, em vez de obter uma tradução simples e direta, palavra-por-palavra. Vá na Wikipedia da língua original do que você quer traduzir, e ache o artigo. Daí veja na seção de Interwikis se há um link pro mesmo artigo em outras línguas. Em geral fica no lado esquerdo da página (a não ser, obviamente, nas Wikipedias de línguas que escrevem em sentidos diferentes do esquerda pra direita). Pronto, ai está. É besta, mas já me ajudou muito.

Diário de Roma - III e IV

- metrô: achamos o metrô bom de Roma. Fica na linha A. Trem moderno (igual ao de Barcelona), ar condicionado, vagoes interligados. E silencioso.

- Fontana de Trevi: cinco milhões de turistas e vale cada um.

- Musei Vaticani: impraticável de manhã. A tarde é sussa.

- Amsterdam de verão só tem o mosquitos. Desconhecem o conceio de 30 graus e céu azul. Já a Italia…

- Ah é, a Italia sabe fazer café…

- Tomada: achávamos que a tomada era padrão europeu, mas aqui em Roma rolou dificuldades: os plugues holandeses não servem direito nas tomadas Italia.

- TV: italianos desconhecem o conceito de legendas. 99,99% de dublagens. O inverso da Holanda, onde só dublam desenho animado pra criança bem pequena.

- … e sorvete!

- turistas: descobrimos onde estão os franceses… turistando em Roma. Os americanos estão turistando em Paris e os holandeses em Barcelona e os italianos… na Italia, ecco!  Ma che cosa? Sei pazzo? Perché lasciare l’Italia? Italia è il più bel paese del mondo! DEL MONDO, ECCO!

- tem alguém lendo isso?

- o conceito de armadilha de turista: a verdadeira armadilha (tirando aquela que te tranca e vai embora pra praia) não é aquelas coisas cheias de quinquilharias fakes e bregas a preços absurdos, mas aquela que posa da “coisa legítima”, cobra uma fortuna e é fake. As de quinquilharias são honestas. Ninguém em sã conscência acha que aquilo tem outro porpósito que não tirar grana de turista.

- Mapas da Rough Guide detonam (e salvam traseiros).

- as bicas de água da rua são de verdade! Água geladinha boa e segura. Vimos locais tomando :) Até agora, sem efeitos colaterais.

25: Parabéns, AlineEEeeEEeEEEeeeeEEe!

- Erro de principiante: falar sua língua em país estrangeiro convencido de que é sânscrito e ninguém jamais entenderá e aí falar as maiores barbaridades, que nunca falaria em público em seu país de origem.

- Queimaram o Giordano Bruno, cara!

- Comprei o Year One do Miller e Mazzuchelli em capa dura por 3,90e! Fummeti é barato aqui!

- Box do hotel é minúsculo, mas tem wi-fi de gratis :) Conectividade incerta daqui por diante, então, ciao!

Diário de Roma - II

- manezisse do dia: a concorrência no quesito é forte. A primeira foi ter esquecido a bateria extra da câmera no hotel e sair com a outra bateria sem ter recarregado a noite. Custou uma hora perdida. A segunda foi ter passado uma hora e meia tirando fotos no formato VGA - que fica ao lado do widescreen. E a terceira foi ter achado que o Forum Imperial tinha horario pra visitar e que o Forum Romano não tinha. É o inverso, crianças.

- bola dentro da viagem: Roman Pass. Se você pegar e usar ele somente pra andar de transporte público mais o ingresso do Coliseu mais o Palatino/Forum Romano, já dá o que você gastou. Com a vantagem de você passar direto pela fila do Coliseu, que é imensa, gigantesca… mas não pra quem tem o Roman Pass, ho ho.

- só sair da Holanda que começa a esculhambação (II): negócio de faixa de pedestre aqui é mais ou menos. Os carros desviam de você, as vezes, muito a contra gosto, diminuem pra você passar, mas assim, parar pro pedestre na faixa, e de bom humor, isso não é muito popular aqui não.

- l’acqua romana: preço de 500 ml de água no frigobar: 1,00€. Na Caffettera Italia no Monumento Vittorio Emanuele: 1,30€. Preço de 2L de água no supermercadinho: 0,27€. Mas tem umas bicas de água espalhadas pra cidade toda. O povo bebe, mas eu só vi turista bebendo. Arrisquei não.

- cidade sede da Igreja Catolica: cheia de freiras e padres e frades fazendo tursimo e falando no celular.

- vista animal de Roma do alto: Roma dal cielo na terrazza de la quadrighe, no topo do vittoriano. Caro pra c. (7, sete fucking euros!), mas oh, a vista. E ao menos as lupas são de grates (ou melhor, já inclusas no ingresso. Né? Né??).

- hotel: quarto bom, banheiro bom, mas micro box. Micro. Pessoas com mais de um metro e 80 não cabem. Localização razoável. Longe de tudo mas do lado do metrô, e de metrô é 20 minutos de tudo que interessa.

- coloseo: WOW!

- férias: a gente achava que Amsterdam fechava pro verão. Roma muito mais. Quantidade de cara na porta que demos na busca pelos restaurantes indicados não foi pequena. Reabre em setembro.

- metrô: rápido e eficiente, mas pqp, como é barulhento.

Diário de Roma - I

- Pichações: a cidade tem muita pichação. No metrô elas chamam a atenção, tanto na estação quanto nos trens, que sõ inteiramente pichados por dentro e por fora. Um policial reprimiu a Carla por tirar fotos. Disse que nõ podia. Ela pediu desculpas e desde entõ tiramos montes de foto do metrô. Não pdoe tirar foto de área pública de c. é r.

- Colosseo: sem nenhum preparo, ele está imediatamente, literalmente, do outro lado da rua da estação do metrô. Eu estava esperando, não sei, andar e ir vendo ele chegando, algo assim. Mas não, a gente pisou fora da estação e deu de cara, PÁ, sem estarmos preparados. Impactante.

- Café da manhã no hotel: rosca fruta. Rosca fibra, integral. Tudo farinha branca, refinada, açúcar refinado, gordura trans e laticínios medianamente gostosos. Café de máquina, padrão de hotel. Estamos ficando cada ez ais chatos. Voltamos pro quarto onde tinha frutas que compramos num super ontem. Ducs prevenidos valem por 4. Aliás: precó de 500 ml de água no aroporto de Rotterdam (de onde embarcamos pra cá): 2.50e. Ao pé do Colosseo: 2.00e. No supermercadinho express onde compramos frutas: 0.29e.

- Olimpíadas: os narradores italianos são muito, mas muito mais empolgados que os holandeses. Ah, ontem transmitiram a final de box pesos pesados. Um italiano contra um russo. O nome do taliano: Clemente Russo. Juro. Você acha qe um cara chamado Clemente Russo espancou o russo e ganhou ouro? Argento pra Italia.

- só sair da Holanda que começa a esculambação (I): Demorou mais de uma hora pros italianos jogarem com grande estrondo as malas na esteira do aeroporto. MInha  Deuter veio sem a rain cover. Pelo meno aqui tem uma coisa que se pode chamar de verão e não há previsão de chuva. Mas fará grande falta na Holanda.

- Lei Universal do Atendimento Italiano: (verificada no começo do ano em Milano e confirmada com glórias aqui em Roma): Em tendo um local e um turista, todo local será atendido primeiro, sendo inclusive passado na frente do e no meio do pedido do turista, que só será atendido na ausência total de locais. Turista que pede em italiano é atendid primeiro que turista que pede em outra língua. Turista que pede em inglês será atendido quando e caso o atendente estiver afim e após mostrar uma nota de 50e e dizer “per favore”. E conte o troco.

comentário: a últma vez que falei inglês na Itália foi em 30 de dezembro de 2007, quando chegamos em Milano a meia noite e conseguimos pegar um taxi. PErguntei, meio em pânico, pela primeira vez na Italia, sem ter idéia de como soaria o italiano quando falado na vida real, “Do you speak english?”. O motorista respondeu, falando alto como é a lei, A LITÔU, A LITÔU! Expliquei o endereço do hotel, Depois de 3 minutos de silêncio no taxi (tempo máximo que um italiano muito educado e auto controlado consegue ficar sem falar) e ele perguntou: UÉRE IÚ FROM? AMERICA? - No, actually I am Brazilian. - OH! BRASILIANI?!?!?! Ma perché stai parlando brasiliani a me? Capisco brasiliani!! Non mi piace il americani! E passamos o resto da corrida falando mal de americani e bem de brasiliani, especialmente do Ronaldinho em portuliano. E assim aprendi a Lei, e hoje ainda sou atendido depois de todos os locai, ma bem ante dos americanos, har har.

Depois tem mais. Bjs.

Isso daí com arroz é uma delícia…

Tinha um cara, colega nosso na BIO-USP, que sempre que via um tucano voando por ali (tem uma reserva do lado) dizia, com entusiasmo, sobre a ameaçada ave:

- Isso daí com arroz é uma diliça!

E a seguir passava a pontificar sobre a necessidade de cimentar a Amazônia ou alguma outra barbaridade da laia. A seguinte notícia me lembrou o Filipão, e ela pra mim ilustra muito (mas não tudo) da natureza humana - e da Natureza, na verdade:

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL688185-5603,00.html

Arte boa

Na Casa da Senhorita (De Vrow’s huis, em holandês. Não era holandês? Ops.) rolou uma discussão do que é arte, e tal. É uma discussão mega difícil, e eu acho engraçado, porque eu iniciei 3 faculdades: Artes Plásticas, Biologia e Letras. Em cada uma delas rolou uma discussão semelhante: o que é arte, o que é vida, o que é literatura, e isto é apenas natural, claro, se você vai passar os próximos 4 anos estudando o treco é razoável tentar definir o que se estuda (sem sucesso, na maioria das vezes, mas o processo é válido.)

Anyway, fugi covardemente da discussão, e ainda fugirei - mais ou menos. A definição, como qualquer definição humana, é arbritrária, e não há consenso. Em vez disso vou falar um aspecto do que, na minha modestíssima opinião dudesca, eu considero boa arte. Boa arte é arte que (me) inspira. Você vê uma peça de arte e fica com vontade de fazer arte também, de produzir ou começar algo. Ou começa a pensar sobre o assunto, e com isso pensa coisas que não havia pensado, ou não pensaria, de outra maneira. Ou causa uma mudança de perspectiva. Boa arte provoca, enfim, uma reação de inspiração - e não só uma sensação agradável por ter sido exposto a ela, caso em que é bom entretenimento, não boa arte. É o que eu acho e uso pra mim, talvez seja útil pra mais alguém, embora imperfeita, então está aí.

Edit- Só deixando claro que esse definição de arte boa não é a única, muito antes pelo contrário. Aliás, nem mesmo é a minha única. Definições tem variado ao longo do tempo, e é uma discussão tão complexa quanto o que é arte em si. Eu quis apenas comentar um aspecto do que considero boa arte, não definir matematicamente nada.

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