Finais de tarde
AVISO: alto conteúdo nerdístico.
#1 - Final de tarde no trabalho, logo no começo da minha agora extinta carreira de sysadmin. Eu havia terminado de fazer algumas coisas no servidor da pequena empresa onde trabalhava. Os programadores iriam ainda longe no trampo, mas pra mim era hora de encerrar o dia, sair do servidor, desligar meu computador de trabalho (que também rodava Linux) e ir pra casa. Dei o comando pra desligar minha máquina:
# shutdown -h now
The system is shuting down NOW!
Connection to remote host closed.
$ _
A parte do aviso que o sistema estava sendo desligado AGORA era esperada, mas a mensagem dizendo que eu havia sido desconectado e o fato de minha máquina continuar ligada não. Imediatamente os colegas de trabalho começaram a levantar as cabeças.
- Ei, alguém está conseguindo acessar a internet?
- Hum, engraçado, eu estava até agora pouco.
- Nossa, eu também perdi conexão, o que está acontecendo?
Todos se viraram pra mim, lentamente. Desse dia em diante eu aprendi o valor de prompts diferentes.
#2 - Final de dia na consultoria onde eu trabalhava. Pela primeira vez na semana eu contemplava a possibilidade de sair no horário previsto em meu contrato de trabalho e efetivamente conseguir me encontrar com a namorada prum milkshake de morango comemorativo. Tudo era emergência nessa consultoria, tudo era incêndios, tudo era surpresa. O milkshake já havia sido adiado a semana toda. E sim, seria de novo. Quase cinco e meia da tarde, minha gerente chega com a bucha. Eu deveria ir num cliente fazer um serviço, que por algum motivo o outro analista não poderia mais fazer e por um motivo ainda mais bizarro e inexplicável, era terrivelmente importante que fosse naquele minuto. Agora.
- Agora?
- Agora?
- Mas são cinco e meia da tarde.
- Sim. O cliente vai ficar acompanhando você até o serviço terminar.
- Mas…
Não havia mas. Eu deveria fazer com que algumas máquinas Linux entrassem na rede com os computadores da Apple, via protocolo Apple talk, ou algo que o valha. Eu nunca havia usado um Mac por mais de 30 segundos e não tinha nenhum conhecimento dos protocolos ou sequer de como se parecia uma rede Apple. Eu era analista júnior, contratado com o salário mais baixo da equipe há pouco mais de 5 meses. Eu expus esses contras pra gerente. Ela não se abalou, já os conhecia e estava preparada para tudo. Foi calmamente até o armário e pegou o manual de instalação básica do Conectiva Linux, e disse:
- Dá tempo de você aprender no caminho pro cliente.
- São só duas quadras.
E eram.
- São só duas páginas.
E eram.
Eu fui. Eu li a sumária explicação antes de chegar no cliente. Ele rapidamente me apresentou às máquinas, e disse:
- Então você é o especialista em Apple da sua empresa, hein? Me falaram muito de você. Vou ficar acompanhando todos os seus passos, pois apesar de entender um pouco eu não sou um especialista que nem você e sempre posso aprender mais. Pode começar.
Eu tenho birra de Mac até hoje, mas não é por causa disso. É por causa do mouse com um botão. (Que comece a Guerra Santa.)
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