Tuitando

Implicâncias com modinhas internetosas à parte, o twitter é na verdade legal. Eu curto a idéia de registrar alguns dos milhões de pensamentos rápidos que ocorrem ao longo do dia. Alguns são estúpidos, alguns são interessantes, eles vêm e vão, queimam na atmosfera e desapareceriam normalmente, mas com o advento do armazenamento de dados à baixo custo, podem ficar registrados. E isso é bom? Serve pra alguma coisa? Não é perda de tempo registrar tanta besteira (nem adianta fingir que os interessantes são na mesma proporção dos inúteis)?

Pode ser, pode ser. Mas pensamentos são coisas frágeis, e somem fácil. É um bloco de notas rápido, prático e público. Nunca se sabe quando pode-se extrair algo legal, ou pensamentos interessantes do meio de várias besteiras, e sim, já aconteceu. Quem sabe a coisa legal de amanhã que será inspirada por uma besteira de hoje?

Além disso é um jeito de acompanhar pessoas - a internet não é nem de longe substituto pra boa e velha interação ao vivo, mas ajuda a manter a estrutura social que nós, humanos, precisamos. O contato social precisa ser constantemente renovado. Não há relacionamento se não há interação. Se eu não sei o que se passa no seu dia, onde você foi, o que está te interessando, mesmo algumas besteiras que você tá pensando,  enfim, se eu não interajo de maneira alguma com você (porque você não tem tempo pra estas besteiras… só pra outras) eu não me relaciono com você socialmente. A relação fica baseada somente na lembrança de quando essa interação ocorria. É um relacionamento fóssil. Por isso, sim, claro, eu adoraria sair ao vivo com vários amigos meus, e isso seria bem mais legal, mas eles estão longe, uns poucos em outras cidades aqui na Holanda, ou em outros países aqui na Europa, mas a maioria em outro continente, e sem blogues, e gtalks e twitters eu teria somente relacionamentos fósseis com essas pessoas, e isso seria triste.

Então, até nós termos aquela cerva juntos, ou aquela idéia genial que não caiba em 140 caracteres, tuitem aí (e me passem o seu usuário por lá, preu acompanhar) que eu tuito aqui.

5 Comments

  1. Carla:

    Ainda não me habituei a tuitar, mas chego lá. Realmente é mais uma das maneiras de interagirmos com nossos amigos e essa é uma das bem simples, pois não requer muito tempo nem elaborações e é divertido. :)

  2. rbp:

    Eu nunca tinha me animado muito com o twitter, até este fim de semana, quando acompanhei a djangocon (http://djangocon.org/) por uma transmissão pro escritório do Google SP. Os twitters substituíram os comentários e perguntas rápidas, tanto entre as pessoas na sala (que não podíamos conversar pra não atrapalhar os outros), quanto entre a gente e as pessoas que estavam lá ao vivo, e até entre a gente e pessoas que não estavam vendo a djangocon, mas que queriam notícias.

  3. daniduc:

    @rbp:

    e eu adorei acompanhar a coisa toda. Não por um grande interesse particular em django, mas por um interesse nas pessoas que estavam participando. Foi bem legal a “cobertura ao vivo” :)

  4. rbp:

    E o que dá mais raiva é a incompetência do twitter em lidar com o sucesso. Primeiro, as constantes falhas. Há um mês, o sistema ficava literalmente mais tempo fora do ar do que funcionando. Meu feed rss do twitter não funciona tem bem uns 6 meses. Há mais ou menos esse tempo que tem uma mensagem na barra lateral, “We’re working to restore IM services to all users. Thanks for your patience!”. Não é mais paciência, é resignação.

    E, como eles não conseguem nem fazer o serviço padrão direito, coisas como integrar buscas e replies à sua página principal (”recent”) estão fora de cogitação.

    Incidentalmente, eu acho bem ruim a escolha da ‘@’ pra indicar uma pessoa, e de ‘#’ pra indicar uma área de interesse, ou uma palavra-chave arbitrária. Em Português não faz diferença, mas, em Inglês, ‘@’ se lê “at”, ou seja, “em”, “no”. É uma indicação de lugar. Então, se eu quero dizer que estou vendo a djangocon no escritório do google, eu diria em Internetês “daniduc: I’m watching djangocon @google sp”. No twitter, eu digo “@daniduc I’m watching #djangocon at google sp”. Se eu uso “@google”, o usuário “google” vai achar que eu estou falando com ele (e não estou). E eu não estou falando “no daniduc”. Seria melhor “#daniduc: I’m watching djangocon @google sp”. Talvez até pudesse usar outro caracter no lugar do que hoje é o “#”, e o “@” seria ou ignorado, ou um indicador de localização mesmo. “#daniduc, I’m watching !djangocon @google sp”, e você poderia fazer um geotagging de locais.

    Enfim, agora pegou…

  5. daniduc:

    @rbp: realmente a escolha da arroba é bem ruim!

    …e incompetência em lidar com sucesso é um clássico. Conheço muito bem essa tendência em empresas.

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