Utilidades gerais
Eu só fiz aulas de inglês na escola. É difícil explicar pros holandeses como que todo brasileiro tem aula de inglês na escola e mesmo assim nenhum brasileiro aprende inglês na escola. É uma contradição que não entra na cabecinha cor de cenoura dos nossos amigos das terras baixas. Mas enfim, em não aprendendo inglês nas aulas (eu tive verbo to be até o terceiro colegial), e sempre gostando de línguas, pedi pra fazer cursos, pedido negado devido ao exorbitante preço (pelo menos na época) das escolas de inglês de nível razoável. Sem outra alternativa, encarei o dicionário e a invasão cultural americana para me auxiliar na tarefa de dominar a atual língua franca do mundo. Ajudou ter um amigo britânico, que quando tinha saco me tirava diversas dúvidas. E lá ia eu, com uma história em quadrinhos e muita paciência decifrar o patoá anglo-saxônico sem o auxílio de aulas regulares e professores.
Demorou anos, mas atingi um nível de inglês suficiente pra comprar pão na esquina e ler histórias em quadrinhos. Pronto pro próximo desafio, escolhia qual língua encararia a seguir. Pensei em francês, principalmente, devido a um já superado e muito besta preconceito com espanhol (que sempre me soou aos ouvidos como um português deturpado e corrompido), talvez italiano. Fui adiando os planos, mesmo porque, em o orçamento doméstico do casal Duc só permitindo um curso de línguas por vez, acabamos por dar prioridade pra Carla fazer o inglês.
Eis que me enchi disso tudo e resolvi fazer Letras (na USP, que é de grates). E lá tive minhas primeiras aulas de língua desde o verbo to be do terceiro colegial. Quais? Francês? Espanhol? Mesmo o italiano? Não. Latim e grego clássico. E semana passada eu comecei (não na Letras) aulas de holandês.
Agora, amigos, vamos concordar, vai gostar de língua inútil assim lá na puta que os pariu, hein?
Ali Ckel:
Holandês não é tão inútil assim. Você vai poder cortar o cabelo com o cabeleireiro local sem precisar fazer gestos para indicar até onde a navalha pode ir. Vai ser prático! E bancar um de local é legal
Por falar em línguas, esses dias fiz um intensivão de inglês aqui em casa, pois hospedamos um casal australiano (na real, o mino era australiano e a mina da Malásia, hoje ambos vivem nos US, mas enfim).
May 28, 2008, 8:51 amUm certo dia, enquanto jantávamos lanches, resolvi que queria as alfaces que estavam lá do outro lado da mesa. Nesta altura do campeonato, eu já tinha perdido a vergonha de ser feliz. Conversava, falava, errava, não estava mais nem ligando. Estou hospedando na minha casa, não estou?, então aceite meu inglês macarrônico e não reclame. Já tem cama, comida e roupa lavada sem pagar um tostão. Pois bem:
- Andrew, could you give the lechuga, please?
A moça da Malásia, extremamente tímida, fez a maior cara de “ué” que já vi na vida. Porque diabos não estão entendendo o que pedi? Las lechugas, please!!!!
carladuc:
Adorei o post!
Estudar línguas é muito divertido. Pena que adquiri esse gosto tarde, teria me adiantado um tempo. hehe
Aline, seu comentário está hilário!!!
Eu rachei o bico!
Bem, o que descobrimos por estas terras baixas é que o lance é mandar bala no inglês macarrônico. Ë o que mais ouvimos o tempo todo. A galera se vira como dá. Claro que aperfeiçoar é sempre bom, mas tem que mandar ver. Botar a timides de lado e sair falando. E de maneira alguma é preciso ter um ingles perfeito pra se virar ao redor do mundo.
E viva “the lechuga!”
May 28, 2008, 10:02 amdaniduc:
Lance seguinte, falar ingles se aprende falando. Nao da pra sairde 0 a 100 sem passar pelos intermediarios. Simples, se nao falar nao melhora. Nao vai acontcer de vc estudar quieto durante um tempo e ai, num belo dia, do nada, vc abrira a boca e saira o mais perfeito inglês londrino. É como dirgir ou qualquer outra coisa. Alguma hora você tem deixar de dar voltinha dna quadra e ir pra marginal, tem que tirar as rodinhas da bike e sair pedalando. Pra aprender tem que praticar, entao o melhor é deixar a timidez de lado e sair pagando os micos sem vergonha de ser feliz. Ué, ce ta aprendendo, nao? Entao mandou maior bem com o give me the lechuga!
May 28, 2008, 2:59 pmrbp:
“Give the lechuga”, clássico instantâneo!
May 28, 2008, 3:51 pmBarts:
Eu acho que o problema todo foi voce TER alface em casa. Essa tendencia ao naturalismo é que torna omundo mais dificil. Alimentasse seus amigos a base de hamburguer e pizza e nada disso teria acontecido!
Eu acho espanhol legal, o que nao me passa no gurgumilo [e frances, acho uma puta linguinha de fresco!
May 29, 2008, 8:25 amrbp:
E o x-salada, como fica??
May 29, 2008, 12:04 pmrbp:
(E, a propósito: você fala “gurgumilo” e Francês é que é fresco??)
May 29, 2008, 12:05 pm