The real problem

Eu fico lendo sobre a Indústria de Entretenimento choramingando sobre a injustiça e a maldade humana, com todos essas pessoas ruins que ficam pirateando, ROUBANDO conteúdo de pobres autores que dependem apenas de seu talento para sobreviver e dou risada. Os estertores de uma indústria em extinção, processando seus antigos clientes, berrando sobre pirataria e autores explorados chama a atenção de ativistas e analistas. Eles enchem jornais e “blogs” escrevendo, digo, formando nossa opinião, que o problema da indústria é que o modelo de negócios mudou e a Indústria do Entretenimento vai ter que se adaptar, vender mp3 pela internet, fazer que nem a Apple, sempre tão tchap-tchuras à frente de seu tempo.

Mas o problema de verdade, que essa Indústria já percebeu e por isso berra e late em outra árvore na esperança de que as pessoas não percebam (em vão claro) não é a mudança do modelo de negócios. O problema de verdade é que os artistas, com a Internet e o mp3, não precisam mais da Indústria at all! A Indústria do Entretenimento não está só com um modelo de negócios obsoleto, ela própria está obsoleta.

Quando se vendia música em objetos físicos, uma Industria era necessária para prensar os discos, encaixotar os discos, enviar os discos pro outro lado do Atlântico e por todas as cidades do país, divulgar o disco. Sem essa Indústria o artista não tinha como chegar no público.

As peças novas foram se encaixando e derrubando todo o esquema anterior. Com um site cheio de mp3 você distribui sua música pro mundo todo, instantâneamente. E quanto a divulgação, a Internet já mostrou que cria seus próprios fenômenos e celebridades sem dar a mínima pro que a Time Warner acha ou quer promover. All your base are belong to us e Jeremias, Star Wars Kid e As árvore somos nozes estouraram e lá foi a velha mídia correr atrás, pensando como não vimos isso? Inventaram uma expressão descoladinha (buzz word) pra coisa, marketing viral, mas o grande lance é: o artista não precisa mais da Indústria. Ele pode entrar em contato direto com o público e pensar ele mesmo em um modelo de negócios novo e aquele abraço pra Sony Music, que pode ir lamber sabão junto da Indústria da Tração Animal.

O título deste post é de uma música do primeiro álbum do extinto grupo de rock Body Count.

One Comment

  1. Miguel:

    Só falta explicar como os artistas vão ganhar os cobres, com adsense a coisa não vai, hehehe

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