Chuva de Coca-Cola
Atendendo a pedidos republico agora, revista e ampliada, a infame história da Chuva de Coca-Cola, tristemente verídica.
Ansiosos para sermos os gringos quando crescermos, em São Paulo temos um World Trade Center na Marginal, ainda de pé talvez por ser baixo demais para ser pego por Boeings. E para lá eu fui, enviado em missão especial de emergência como consultor, para instalar o servidor de email e DNS da torre. Chegando, logo fui apresentado a dois clientes responsáveis por gerenciar a implantação dos serviços que eu iria executar.
As máquinas ficavam nas catacumbas do WTC paulista, para onde desci a fim de começar o trampo. No final da manhã, lá pela hora do almoço, havia concluído a instalação, mas a coisa não funcionava como deveria. Após uma educada escaramuça com os locais, provei por a + b que os serviços estavam instalados corretamente e a culpa era de um firewall deles. Aliás, firewall que eles nem sabiam que possuíam até eu demonstrar a sua existência.
- Nós temos um firewall, então?!
- *suspiro*… Sim.
- Caramba!
- Vocês precisam inserir as regras para que o serviço novo funcione.
- Mas quem administra esse firewall?
- Não são vocês?!
- Hã.. é.. claro… hã…
Enquanto os técnicos locais procuravam se acertar, os dois clientes resolveram almoçar e me convidaram, claro. Fomos ao Shopping D, parte do mesmo complexo de prédios do WTC, e entramos na praça de alimentação absolutamente caótica e lotada de Dilberts e outras formas de drones corporativos.
Pegamos as comidas e nos entregamos à batalha infeliz de conseguir lugar numa praça de alimentação na hora do almoço. Eventualmente achamos uma mesa com uma pessoa sentada e três lugares vagos. Oh, que sorte, éramos em três, eu mais os dois clientes. Pedimos licença ao senhor de roupa social que graciosamente concedeu. Se ele pudesse voltar no tempo… pobre pessoa.
Enfim, os dois clientes tomaram lugar á frente desse senhor e o tiozé aqui foi passar por trás dele para sentar ao seu lado, no lugar que restou.
Ao passar por trás dele estava apertado e levantei a bandeja por.. cima.. da cabeça… dele… No ato de levantar a bandeja, causei um desequilíbrio no meu copo de Coca-Cola. Observei com horror o copo rodar uma, duas vezes bem acima do senhor que estava todo paramentado socialmente…
Num gesto brusco e instintivo para tentar deter o desastre iminente acabei por completar a tragédia. O copo despejou 500 ml de um ácido e gosmento líquido preto… para, deixa eu respirar um pouco. Até hoje eu tenho arrepios ao me lembrar disso.
O senhor estava com os ombros encolhidos, olhos fechados, cabelos pingando, enquanto os clientes me olhavam com o mais absoluto choque, e eu encarava um lago de coca cola no que um dia foi o prato dessa alma condenada.
O pior não foi a reação do senhor, não, ele foi até compreensivo com a cagada, fazendo uma cara de resignação diante das minhas abjetas tentativas de desculpas e de ajudar…
Tive que almoçar em silêncio na frente dos dois clientes, que a essa altura tinham substituído a expressão de choque pela de desprezo. Só comiam e não diziam uma palavra. O senhor já havia, sabiamente, fugido à muito atrás de uma roupa nova (a qual me ofereci para pagar, mas ele queria uma distância muito segura de mim, e rápido).
Desse dia em diante eu passei a comprar Coca em lata nas praças de alimentação (tenho a impressão que aquele senhor preferia um galo) e quando alguém pede para sentar na minha mesa eu mudo de cadeira, mas nunca, nunca, em hipótese alguma, deixo a pessoa passar com uma bandeja suspensa sobre minha cabeça.
Nunca se sabe quando pode chover dentro do shopping…
carla:
É trágico, eu sei. Mas eu dou risada toda vez que leio.
March 8, 2007, 8:31 pmjuju:
isso ai só intisga a ler todas again , fui no teu site ebaxei o original
March 8, 2007, 10:59 pmLALALA…..
HUAHAUAH,, lagrimas escorrem c as risadas