Photoshopar ou não photoshopar?
O título do post não é bem a questão, já que usar o Photoshop permite um controle extremo sobre suas fotos e seu uso é amplamente disseminado. A questão é mais, ao meu ver, o quanto, quando e como usar. Por mais cuidado e acerto que tenhamos ao tirar uma foto, sempre é possível melhorar algum aspecto, que seja um recorte (crop) melhor, ou um pequeno acerto no contraste. O Photoshop também permite salvar fotos perdidas, ou tirar um defeito de uma foto que seria espetacular não fosse por um detalhe.
Apesar da imensa popularidade do software, muita gente (especialmente iniciantes na fotografia) ainda tem uma certa birra contra o uso do Photoshop. Afinal, antigamente não havia computadores, fotógrafos de verdade tiravam a foto do jeito que era, e tal. O que não é verdade, claro. Antigamente os fotógrafos não usavam Photoshop só porque não tinham acesso à ele, mas mexiam nas imagens com os recursos que possuiam. Seja ajustanto contrastes e brilho durante o processo de revelação, usando a boa e velha guilhotina para o crop e, em casos extremos, o airbrush. Ou você acha que as Playboys dos anos 60 mostravam mulheres com celulite? O quanto de alteração se exige para deixar de se considerar uma foto e passar a ser chmado de outra coisa é uma questão ética e varia em cada contexto e pessoa, e não é meu objetivo neste post definir. Agora, dizer que fotografia só é fotografia se o que sai da sua câmera fica completamente inalterado é inocência demasiada, e um grande desperdício as vezes. Um certo uso de Photoshop, assim como as antigas técnicas de revelação, é parte de fotografar.
Não que o uso de Photoshop seja isento de problemas, ao contrário. O primeiro: é fácil com tantos recursos à mão, as pessoas se empolgarem e super photohsoparem, pesarem a mão, criando imagens artificiais, sem alma, como naquela moda medonha dos anos 90 de colorirem por computador filmes antigos em preto e branco. Um bom uso do Photoshop é praticamente invisível. Há impacto, mas natural. Uma boa foto pode ser estragada por excesso de edição.
O outro problema: maus fotógrafos. Já que é possível corrigir praticamente qualquer aspecto da foto no Photoshop, algumas pessoas confiam e se especializam demais no uso dele no lugar de aprender a fotografar direito. Muitos erros bestas que são corrigidos depois via software poderiam ter sido evitados em primeiro lugar. Eu passei mais de ano fotografando com uma point and shoot e sem sequer ter o Photoshop instalado na máquina, franzindo o rosto de raiva cada vez que uma cabeça entrava no canto da minha foto e estragava a composição. Não, eu não usava nem o crop. Do jeito que saía, ficava. Embora isso seja uma atitude extrema, me ajudou a ficar ligeiro no gatilho, a escolher melhor o enquadramento, a acertar a linha do horizonte, a me ferrar tentando acertar cor e exposição com os limitados recursos da câmera compacta, o que me facilitou muito entender os conceitos quando pus as mãos numa DSLR há pouco tempo. Ainda tenho muito o que aprender, e um longo caminho pela frente, mas sem dúvida esta prática me ajudou. E o melhor? As milhares de fotos que tirei e não deram certo por um detalhe ou outro ainda estão no meu HD, prontas para serem corrigidas com o Photoshop a hora que eu quiser. Tirar fotos displicentemente dizendo “depois o Photoshop arruma” não irá te tornar um bom fotógrafo, e momentos perdidos ou com um enquadramento que deixou de fora algo importante são irrecuperáveis. Fotos mal expostas podem ser corrigidas em certa medida, mas nunca ficarão iguais à uma foto bem tirada. Informações que foram perdidas na foto não podem ser fabricadas do jeito que eram, e isso é um desperdício muito mais triste do que se recusar a cropar um cabeção em uma foto que seria de outro modo perfeita.



