Você é feliz?

Na minha opinião, felicidade é dada por 3 coisas:

1. Necessidades básicas supridas. Nisso incluo saúde, comida, segurança, etc. Coisas que, em faltando, ameaçam de maneira imediata a continuidade da existência.

2. Círculo social: pode ser amigos, pode ser sua esposa, pode ser sua igreja… contato humano de alguma forma. Agora, eu sei que há ermitões e pessoas misógenas que se definem como felizes sem humanos—mas de alguma forma elas substituiram o circulo social por alguma outra coisa. Animais, objetos inanimados, uma entidade Abstrata… mas mesmo assim, são casos extremos. Em geral, algum círculo social humano você tem de ter. Seres humanos são essencialmente sociais.

3. Senso de propósito: dar algum sentido à sua existência. Pode ser qualquer coisa: sua profissão, ajudar os outros, enriquecer, derrubar a floresta amazônica (eu não disse que tem o propósito tem de ser louvável: canalhas se definem como felizes também), criar uma obra prima, criar os filhos, colecionar tudo referente aos ramones. Qualquer coisa que dê um norte, um motivo pra você sair da cama de manhã e você julgue que valha a pena, que justifique seu tempo no planeta.

As pessoas que tem os 3 fatores dizem que são felizes.

Faltando o ítem 1, 2 ou 3 temos angústia.

E aí, você é feliz? Se não é, pense: qual dos três está faltando?

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Regra básica e essencial para todo tipo de debate

Grandes debates assolam nossa era. Pessoas se exaltam, e às vezes esquecem de algumas regras básicas, e aqui vai uma:

Se algum dia você se ver defendendo ou justificando o assassinato de crianças, você está errado.

Não vou entrar no mérito (ainda) de assassinato em si, mas vamos solidificar isso primeiro: não há justificativa moral, política, ideológica, religiosa ou de qualquer espécie para se assassinar crianças. OK?

Tropas israelenses atiraram em crianças palestinas? Elas estão profundamente erradas. Não quero saber se os palestinos isso, ou a política aquilo, não tem justificativa.

Palestino explodiu ônibus de crianças israelenses? Ele está profundamente errado. Não quero saber se os israelences fazem o mesmo ou se eles ocuparam a região ou isso ou aquilo.

Não se mata criança.

Não se prenda aos exemplos de Palestina e Israel aqui. Qualquer outro caso serve pra ilustrar. Não importa.

Foda-se a sua afiliação, o que o outro fez primeiro, ou o que está escrito ou deixa de estar escrito em que livro, ou os séculos de opressão de qualquer lado.

Não se mata criança.

Se você se achar, em um desses debates de internet, justificando assassinato de criança, você está muito profundamente errado. Procure ajuda.

Falou? Obrigado. Era isso.

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O maior desastre aéreo da história – Parte III (Final)

(Leia a parte II)

Em meio a densa neblina que cobria o pequeno aeroporto de Tenerife, o voo KLM 4805 carregando 248 pessoas acelera na pista, em procedimento de decolagem. Infelizmente, na mesma pista estava o voo Pan Am 1736, com 396 pessoas, taxiando e tentando achar a saída que deveria tomar.

Sem poder enxergarem-se, e sem poder enxergar a torre, nenhuma das três partes envolvidas está ciente do que está para acontecer e o que as outras estão fazendo.

“Claro que sim!”

Ainda sem saber que o KLM acelerava em procedimento de decolagem, a torre de controle pede para que o Pan Am reporte seu status.

Torre: Papa Alpha um sete três seis, reporte [quando tiver] a pista livre.
Copiloto Pan Am: Ok, reportaremos quando tivermos liberado.

Ao contrário da mensagem anterior, essa foi claramente audível na cabine do KLM. Porém, nem o piloto-estrela da KLM nem seu copiloto acusaram ter ouvido a mensagem. Quem reagiu foi o engenheiro de voo, ou terceiro piloto, o oficial mais júnior da cabine.

Terceiro piloto KLM: Quer dizer que ele ainda não terminou então?
Piloto KLM: Como é?
Terceiro piloto KLM: Ele ainda não terminou, o Pan Amareican?
Piloto KLM: Claro que sim!

Confrontado com a resposta tão enfática do oficial mais sênior de toda a frota da KLM, e com o silêncio do copiloto, o terceiro piloto não disse mais nada. Sua pergunta seriam suas últimas palavras.

“Todo cheio de pressa”

Na cabine do Pan Am já haviam notado a ansiedade do piloto holandês.

Piloto Pan Am: Vamos cair fora daqui.
Copiloto Pan Am: Yeah, o cara tá ansioso, né?
Piloto Pan Am: É, depois de ficar nos empatando todo aquele tempo [com o abastecimento], agora taí todo cheio de pressa.

Nesse momento, o piloto do Pan Am olha pela janela e vê as luzes do Boeing KLM vindo a toda velocidade.

Piloto Pan Am: Tali ele, olha lá o cara, o FILHO DA PUTA TÁ VINDO EM CIMA DE NÓS!!
Copiloto Pan Am: SAI FORA SAI FORA SAI FORA

O Piloto da Pan Am imediatamente acelera suas turbinas ao máximo e joga o avião para a grama, tentando livrar a pista para o bólido azul rugindo em sua direção.

Ou. Se

O Capitão Van Zanten enxerga o Pan Am e percebe que seu terceiro piloto estava certo. Solta um palavrão e puxa o manche, tentando desesperadamente tirar o avião do chão antes da colisão.

A cauda do Boeing bate na pista arrancando um rastro de faíscas. O avião decola, e o nariz da aeronave ultrapassa o deck do Pan Am.

A turbina não.

Por meros metros, a turbina não passa limpa pelo Pan Am. Se o Pan Am tivesse pego a terceira saída como instruído, teria dado tempo.

Se o KLM não tivesse reabastecido e, portanto, estivesse mais leve, teria dado tempo.

Se o rádio não tivesse dado interferência, a decolagem poderia ter sido abortada.

Se o capitão tivesse confiado no seu terceiro piloto, poderia ter evitado a colisão.

Se não tivesse neblina. Se o aeroporto tivesse radar de solo. Se nunca houvesse bomba em Las Palmas. Se o capitão estivesse sem tanta pressa, ou prestando atenção, ou…

Ou. Se.

Vítima 583

A turbina bateu em cheio no deck do Pan Am. O KLM chegou a levantar voo, mas afocinhou logo a frente. Todo o combustível extra colocado no KLM pegou fogo. O incêndio matou todos os ocupantes do avião, e a maior parte dos ocupantes do Pan Am.

Enquanto isso, com o teto arrancado, as turbinas do Pan Am ainda giravam em toda velocidade. Os poucos passageiros que escaparam do incendio fugiram para a asa, para esperar resgate.

Que demoraria ainda, pois devido à neblina, só notaram que havia UM avião caído, sem perceber o segundo em chamas e também destruído.

As turbinas do Pan Am se desintegraram, espalhando destroços em alta velocidade por toda a parte. Uma comissária de bordo foi atingida e morreu.

Foi a vítima de número 583. Nenhum outro acidente aéreo matou tanto.

Mais seguro

O desastre de Tenerife teve impacto profundo na aviação. Diversos procedimentos foram alterados ou criados para evitar esse tipo de situação.

A KLM reconheceu que a responsabilidade final pelo acidente foi de seu melhor piloto, e compensou as famílias das vítimas e os sobreviventes.

Foi construído um novo aeroporto em Tenerife, em um local que nunca tem neblina, para receber grande aviões, deixando o outro aeroporto de Tenerife para atender apenas pequenas aeronaves que fazem o tráfego local.

E instalaram a porra de um radar de solo lá.

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O maior desastre aéreo da história – Parte II

(Leia a parte I)

A pista do pequeno aeroporto de Tenerife estava coberta de neblina, impedindo que a torre de controle visse os dois jumbos que taxiavam na pista, um da KLM e outro da Pan Am.

O KLM seguia primeiro, e deveria fazer uma volta de 180 graus ao final da pista e assumir posição de decolagem. Atrás dele ia o pan Am, que deveria pegar a terceira saída à esquerda, deixando a pista livre pro KLM decolar.

Os pilotos do Pan Am não estavam conseguindo achar a saída correta, perdidos na névoa e em um aeroporto desconhecido e mal sinalizado, certamente não preparado pro tráfego de jumbos. Enquanto eles tentavam se achar, o KLM terminou seu taxi e assumiu posição de decolagem.

O Pan Am, porém, perdeu a saída e continuou na pista. Isso atrasaria mais alguns minutos a saída do KLM. Se ele tivesse esperado.

“Tamos indo”

Na cabine do KLM, o piloto-estrela Jacob Veldhuyzen van Zanten, considerado o melhor que a KLM tinha em seus quadros, estava ansioso.

Todo aquele atraso significava que ele estava para estourar a jornada máxima de trabalho permitida pela legislação holandesa e política da companhia. Isso queria dizer ter de interromper o voo em Tenerife… o que iria causar grandes transtornos: a KLM teria de pagar estadia para todos os passageiros, que já estavam extremamente infelizes com o atraso, sem mencionar a droga do abastecimento que demorou pra sempre.

Além disso, a neblina piorando a cada segundo, naquele aeroporto minúsculo e lotado, aumentava o risco de ter de interromper o voo por falta de visibilidade. O quanto antes ele saísse de lá melhor.

Assim que o KLM alinhou na pista, ele acelerou as turbinas. Imediatamente, o copiloto alertou:

Copiloto KLM: Espera um pouquinho, nós não temos autorização da torre.
Piloto KLM: Não, to sabendo, vai lá e pede.

O Copilot obedeceu imediatamente:

Copiloto KLM: KLM quatro oito zero cinco está agora pronto pra decolagem aguardando autorização da torre.

A torre, composta de apenas dois controladores 9era domingo), respondeu com o plano de voo pevisto pro KLM:

Torre: KLM quatro oito zero cinco você está autorizado para o Farol Papa, subindo e mantendo nível de voo nove zero, virada a direita após decolagem, proceder para…

Aparentmente o capitão Van Zanten selecionou as palavras “autorizado” e “decolagem” dessa frase toda e soltou os freios, interropendo seu copiloto, que estava repetindo as instruções da torre, com um ansioso “Tamos indo, checa a aceleração”.

Mal entendidos fatais

O copiloto, pego de surpresa no meio da frase, tentou comunicar a torre que o capitão soltara o freio e estava pisando fundo, mandou um “estamos agora na decolagem”.

A Torre de Controle entendeu a mensagem como “estamos agora na posição de decolagem”. O que é natural, já que eles não haviam dado autorização de decolagem.

Aliás, de todos os envolvidos na investigação do acidente, quando ouviram primeiro a gravação da conversa da torre, antes de ter a gravação da cabine da KLM contendo o “tamos indo” do capitão, entendeu que o KLM estava querendo dizer que estava na realidade decolando.

A Torre respondeu:

Torre: OK.

Mas logo completou:

Torre: Aguarde para decolar, eu te chamo [quando for a hora].

Nesse mesmo exato segundo, o Pan Am, meio cabreiro com a mensagem do KLM, resolveu confirmar a sua posição:

Copiloto Pan Am: E a gente ainda está taxiando na pista, o clipper um sete três seis [código do Pan Am]

A transmissão simultânea do Pan Am com a torre resultou em uma interferência de rádio – apenas um pode falar por vez – gerando um ruído intenso na cabine do KL  que ouviu apenas uma parte da mensagem da torre.

A parte que dizia OK.

(Continua)

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O maior desastre aéreo da história – Parte I

Em um domingo do fim de março de 1977, uma bomba explodiu no aeroporto Las Palmas, na ilha Gran Canaria, um território autônomo espanhol no Atlântico. A bomba não causou vítimas fatais. Porém, ela seria o início de uma cadeia de eventos que resultaria no maior desastre aéreo da história em termos de mortalidade.

E envolve um avião da KLM.

Congestionamento dos grandes jatos

A polícia, tendo sido avisada da bomba 10 minutos antes da detonação, evacuou o aeroporto de Las Palmas, e levou muito a sério o aviso de que havia uma segunda bomba a ser detonada. Imediatamente ela fechou o tráfego aéreo, desviando-o para um aeroporto local na ilha vizinha de Tenerife.

O pequeno aeroporto de uma pista, acostumado a receber pequenos aviões de vôos entre as ilhas apenas, se viu de repente recebendo diversos Jumbos que fazem parte do tráfego aéreo internacional destinado às Ilhas Canárias.

Logo a pista auxiliar ficou lotada de aviões grandes estacionados, aguardando permissão para finalmente voar para Las Palmas. Entre eles estavam o voo KLM 4805 e o Pan Am 1736, que horas mais tarde iriam colidir de maneira espetacular, matando todos as 248 pessoas a bordo do KLM e 335 das 396 pessoas a bordo do Pan Am.

Vamos logo com isso

Enquanto esperavam, o piloto do KLM 4805 decidiu reabastecer seu avião, preparando-o pro voo de volta à Amsterdam. Em princípio, havia combustível suficiente para o retorno, mas por algum motivo o capitão achou mais seguro reabastecer, e em vez de fazer isso em Las Palmas, onde ele previa que estaria um grande congestionamento de aviões quando a aeroporto reabrisse, provavelmente resolveu ganhar tempo. Ele não tinha como saber, mas não foi uma boa idéia.

O abastecimento demorou 35 minutos. Como o aeroporto era pequeno, o KLM estava bloqueando a passagem do voo da Pan Am, que estava pronto para sair (Las Palmas a essa altura estava reaberto). Sem ter o que fazer, o Pan Am ficou lá, sentado vendo o KLM reabastecer.

Jumbos na névoa

Quando finalmente terminou, e os passageiros do KLM reembarcaram, havia uma certa tensão no ar, um sentimento de “estamos atrasados”.

A torre resolveu liberar os jatos o mais rápido possível. Como a pista auxiliar estava congestionada de aviões estacionados, ela instruiu os dois aviões mais da ponta, o KLM e o Pan Am, para taxiar na pista principal, em vez da auxiliar.

O KLM foi insruído para percorrer toda a extensão  da pista e fazer uma volta de 180 graus ao seu final, para assumir posição de decolagem.

A seguir,  instruiu o Pan Am para seguir o KLM e pegar a terceira saída à esquerda, acessando a pista auxiliar numa altura em que estava já livre de aviões estacionados. Lá terminaria o táxi, deixando a pista livre pro KLM decolar, enquanto aguardava sua vez.

Esse era o plano. Não funcionou.

Enquanto os aviões taxuavam, baixou uma densa neblina no aeroporto, tornando a visibilidade próxima de zero. Isso quer dizer que os aviões não se enxergavam uns aos outros, e nem a torre de controle enxergava a pista e os aviões.

Em um aeroporto maior, isso não seria problema, pois em geral eles estão equipados com radar de solo. Não era o caso em Tenerife. Eles teriam que confiar na comunicação via rádio para saber as posições relativas.

O que se provou bem difícil de ser feito.

(Continua)

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Leia isso se você assina o blog

Ok, depois da singularidade envolvendo banheiros e macbooks, eu ganhei um par de centena de assinantes nesse blog. Um monte deles achou que iria ter mais do mesmo, e deu o pira quando viu que eu tava falando sério sobre esse treco de eu ser estranho e tal.

Mas mais um monte ainda ficou (valeu!). E a maior parte desses assina o blog via RSS (seus nerds!), usando o Google Reader.

Que vai deixar de existir. Valeu Google! Forte abraço, brigado mesmo!

Anyways, o povo tá correndo pra achar alternativas pro Google Reader, mas eu pensei que eu poderia fornecer uma. E irei!

É o email. Yes, bom e velho email. Eu criei uma lista de emails pra mandar os posts novos desse blog.

Se você quiser fazer parte da lista (que permite uma série de coisas interessantes, além de só mandar os posts), você tem de fazer duas coisas;

1. Tacar seu email no formulário no fim desse post (se você não tá vendo o formulário, você vai ter de vir até o blog em si. Mau aí.)

2. Clicar num link de confirmação que vai ser enviado pro email que você cadastrou.

Desnecessário dizer que usuários do tenebroso “sistema” de anti-spam da UOl e do BOL nunca receberão meus emails porque, tipo, eu nem vou ficar confirmando que eu não sou um spammer (me respeite!).

Enfim, sem pressão: se você quiser continuar lendo via RSS, ou via bookmark, ou sei lá, continue, de boa. Por outro lado, se quiser brincar de email, só tacar ele aqui no formulário:

Em todos os casos, fico feliz de ter sua companhia. Aquele abraço.

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Você tem preconceitos?

Sim, você tem. Eu tenho também.

Todo mundo tem preconceitos. Muitas pessoas se consideram super mentes abertas com relação a diversos tópicos, mas pulam pro ataque emocional assim que encontram algum tópico que as incomoda em particular.

Pessoas que realmente tem a mente aberta não são aquelas sem preconceitos (isso não existe); são aquelas dispostas a questionar seus preconceitos quando os encontram, e está disposta a conviver pacificamente com aqueles que adotam posturas ou visões de mundo fundamentalmente diferente das suas.

Conheço poucas pessoas assim, mas sou grato por cada uma delas.

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Pequenas histórias da minha vida

#1

- Que sabor de pizza você quer, Daniduc?
- Muçarela.
- Hah! Não, sério.
- Muçarela.
- LOL. OK, você venceu. Alô, pizzaria? Me vê uma meia margherita, meia…
- Eu não gosto de manjericão…
- LOL! Coma sua margherita, Daniduc!

#2

Adolescência

- A festa ontem tava demais.
- Todo mundo doidão!
- Mas o mais doidão de todos era o Daniduc. Como falou merda! Muito engraçado!
- Eu… huh… eu não bebo…
- LOOOL!
- Até parece que alguém ia ficar falando de programa espacial em uma festa!
- É… até parece…

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As vítimas da alimentação

Tive um sonho bizarro essa noite.

Eu era médico assistente em um hospital. Estava investigando um problema que acometia alguns pacientes em coma profundo, do qual não saiam há anos.

O médico principal (aparentemente meu chefe), me mostrava o pescoço de um deles.

Havia uma ferida sangrenta, recém feita. E ela, explicava o médico chefe, se renovava toda noite.

Ninguém sabia explicar o motivo, mas o chefe tinha uma teoria.

“É um vampiro”.

Diante da minha surpresa, ele explicava.

“Em vez de procurar vítimas conscientes na rua, ele busca se alimentar de pessoas que já não têm consciencia, aqui, nessa ala.”

Eu reagia com choque e raiva contra o vampiro (mas não incredulidade, veja só, era um sonho).

Meu chefe ponderava: “veja, esse monstro pode ser apenas preguiçoso; em vez de caçar, ele pega vítimas indefesas e incapazes de se mover ou fugir ou gritar.”

“Exato!”, dizia eu “o maldito!”

“Por outro lado”, dizia meu chefe, “em vez de matar vítimas novas todas as noites, ou, no mínimo, traumatizá-las, eu acho que ele busca vítimas aqui porque é menor dos males que ele pode causar. Já que ele precisa do sangue, ele se alimenta de corpos que já estão abandonados por suas almas”.

“Ainda assim, é hediondo!”  Gritei eu, indignado pelo tom de defesa da abominação que meu chefe adotava.

“Bom”, respondeu meu chefe, “eu acho que ele faz bem.” E completou com um sorriso: “mas se você discordar, pode ficar aqui esa noite e dizer isso pra ele. Eu… estou indo embora. Boa noite”.

Nesse ponto eu acordei meio assustado, pensando:

“Caramba, um vampiro preocupado com as vítimas de sua alimentação, escolhendo se nutrir de pessoas em estado vegetativo…”

E aí me deu o click:

“Era um vampiro vegan!”

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Sobre Inveja e compartilhamento

No grupo de Blogueiros de Viagem que participo, alguém iniciou um tópico sobre “inveja”, especificamente a inveja que você ficar compartilhando suas viagens com o mundo causa.

E aí rola aquele sentimento dividido: se eu falo o que to fazendo, isso vai causar inveja e mesquinharia. Por outro lado, compartilhar coisas legais é muito, bem, legal!

E ai todo mundo ficou naquelas, po, eu abro mão de muita coisa, ninguém vê o trampo e os sacrifícios que eu faço, etc e tal.

“Todo mundo vê as pinga que eu tomo, ninguém vê os tombo que eu levo”.

Isso é universal. Eu cansei de levar comentário atravessado e pessoas dizendo diretamente que morrem de inveja de mim ou do que faço ou da minha vida. Assim, na lata e com todas as letras.

Por um tempo fiquei cabreiro, mas uma coisa que percebi é o seguinte: a pior coisa que você pode fazer é fingir mediocridade, ou se esconder, ou esconder coisas legais, pra evitar se destacar pra não atrair inveja.

Primeiro, porque nem vai adiantar: você sempre despertará inveja em alguém. Mesmo sem querer, por coisas que são banais pra você (tem um emprego? não é mais virgem? seu pai ainda é vivo?).

Depois, o lance é que a pessoa tem inveja do que *ela* percebe da sua vida, não do que sua vida é. E sobre o que as pessoas fantasiam, você tem pouco controle.

E por último, se a inveja impede você de fazer algo sensacional, de compartilhar uma alegria, ou faz com que você se feche, ela está em seu pleno poder como sentimento destrutivo.

Sim, tem os invejosos, e se a pessoa se mostra assim, atormentando com comentários estúpidos, corte *ela* da sua vida —‚ mas não *se* corte da vida ou do contato aberto com outras pessoas.

Ou, ao menos, é o que eu acho.

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